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A OAB Subseção Foz do Iguaçu está completando 30
anos de existência, o Boletim Informativo entrevistou alguns dos advogados que
acompanharam a trajetória da entidade. Buscando opiniões e experiências destes
profissionais iguaçuenses.
Trajetória de batalhas, sucesso e compromisso
social marcaram os 30 anos da OAB Foz do Iguaçu.
Advogado: Álvaro Wendhausen de
Albuquerque
Formou-se em Direito pela
Universidade Federal do Paraná, no ano de 1962, mudando-se logo em seguida para
Foz do Iguaçu onde atua há 43 anos. Foi o terceiro advogado a chegar na cidade, chegaram primeiro
Antonio Ferreira Damião Neto e Ney Watson dos Santos (ambos falecidos).
Albuquerque é ex - presidente da subseção por três vezes consecutivas, em 1963
por indicação e mais duas vezes por eleição, acredita no crescimento da subseção
com toda a região e destaca que o aperfeiçoamento pela educação contribui e
muito para o caminho de muitas comemorações da Ordem.
BI OAB Foz: Como foi para o senhor ser
Presidente da OAB Subseção Foz do Iguaçu, por três vezes, logo no início da
instalação da Ordem na cidade?
Albuquerque: Cheguei a
Foz do Iguaçu em janeiro de 1963, e naquela época dependíamos da Subseção da
Ordem de Cascavel, então a principal tarefa era fazer com que Foz tivesse
subseção própria. Havia certa resistência na época, foi um trabalho difícil. Foi
com o apoio do Presidente da Seccional do Paraná, Eduardo Rocha Vielmond e
Lacerda Britto intervindo junto ao Conselho que a Subseção foi criada, atingindo
inicialmente desde Guaíra, Santa Helena, Foz do Iguaçu, Medianeira, Matelândia,
São Miguel até Céu Azul, daí por diante começava a Subseção de Cascavel, atuavam
como advogados na época aproximadamente 34. Só mais tarde houve mais algumas
subdivisões que criaram as Subseções de Medianeira e outras.
BI
OAB Foz: Como está para o Senhor o trabalho do advogado hoje, muito
diferente de 40 anos?
Albuquerque: A principal mudança
que percebo, e acredito que por conseqüência do conhecimento da população por
seus direitos, mudança das leis, da constituição a busca do jurisdicionado
cresceu geometricamente e o crescimento físico da estrutura física judiciário
foi aritmeticamente. E o que se verifica é que Foz do Iguaçu, quando cheguei,
por exemplo, era uma vara. Não havia Vara Federal, nem Junta de Conciliação e
Julgamento do Trabalho, o Foro Estadual é que cuidava de toda esta parte. Então
nos primeiros anos de Subseção em Foz pode-se perceber grande avanço em
instalações de foros e varas, com o intuito de facilitar o trabalho do advogado,
acompanhei tudo de perto como Presidente da Subseção: a instalação da Junta de
Conciliação e Julgamento do Trabalho, o deslocamento da 10ª Vara dos Direitos
Agrários que não tinha função alguma em Curitiba foi implantada aqui. E
paralelamente a tudo isso a instituição da primeira faculdade de direito em Foz,
por que se notava na época era uma certa reação dos advogados, no sentido de não
se deixar criar faculdade na cidade, em razão da concorrência, mas isso era
relativo, porque aqueles que se formam em outras cidade acabam vindo trabalhar
aqui. Então era melhor ter uma faculdade em Foz. O que criticamos é que o
trabalho a ser desenvolvido pelo advogado cresceu muito em razão do poder
concedido ao jurisdicionado e as estruturas físicas do Judiciário Estadual e do
Federal e mesmo do trabalho sempre estiveram aquém das reais necessidades,
principalmente a Justiça do Estado do Paraná.
BI OAB Foz:
O senhor acredita que aumentando a estrutura física e pessoal dentro da
Justiça seria melhorado o atendimento e andamento de processos nas varas?
Albuquerque: Com certeza, e podemos destacar aqui, o
problema que vivemos com relação à vara de família, por que como ela está é
humanamente impossível a qualquer juiz, manter os serviços em dia, devido ao
número de processos que a Vara de Família tem. Nestes casos costumam culpar os
juízes que não despacham, não produzem, mas eu sou testemunha ao contrário
disso, os juízes trabalham sim, despacham, mas dentro das limitações humanas, o
juiz não pode fazer milagre, deixar em dia uma vara com uma carga de oito mil
processos em movimentação. O que isso acaba provocando, o descrédito do Poder
Judiciário aos olhos da população, que vem sua causa caindo na tardança, da
prestação de serviço. É muito demorado. Deveria ser o dobro de pessoas
trabalhando, para cada juiz deveria ser pelo menos mais um trabalhando. Isso que
ainda temos as medidas processuais que buscam dar agilidade a prestação
jurisdicional, que seria a tutela antecipada, e as liminares em determinadas
ações, mas vemos que estas ações inseridas no sistema atual já não estão
satisfatórias, infelizmente, melhorou e auxiliou sim, mas ainda deixa o sistema
e a estrutura muito aquém do mínimo que se possa ter.
BI OAB
Foz: Daqui para frente onde a OAB Foz deve insistir em ações para mudar
e facilitar o relacionamento do poder judiciário e do
advogado?
Albuquerque: Comparando com o tempo em que
estive a frente da Ordem como Presidente, as soluções que encontrei não foram
soluções feitas "em casa", ou em Foz do Iguaçu, na verdade creio, que as ações
da diretoria da OAB devem ser feitas a nível de Curitiba e Brasília. Como por
exemplo, se quisermos mais uma Vara de Família em Foz do Iguaçu, não pode ficar
com um movimento local, desta forma o movimento não reflete. O que precisa ser
feito é uma pressão em cima do atual Presidente do Tribunal de Justiça e do
Corregedor Geral da Justiça, por que é de lá que tem que vir esta permissão, só
eles tem competência para instalar mais uma, ou duas varas. Na verdade, Foz
precisa duplicar o número de varas, todos os setores, desde os Juizados Cíveis,
Criminais até os Juizados Especiais, e principalmente a de Família, para colocar
este serviço em patamares razoáveis por que do jeito que está estamos mendigando
de chapéu na mão sentenças e decisões. E repito não é por má vontade dos juízes
é por falta de condição de trabalho.
BI OAB Foz: Uma
reclamação quase que unânime é a desatualização em equipamentos e acesso ao
andamento dos processos nos Fóruns. O senhor concorda com
isso?
Albuquerque: Vejo com clareza os problemas do
Paraná, à medida que advogo também no estado de Santa Catarina, Comarca de
Florianópolis, Joinville, Itajaí, Blumenau, Balneário Camboriú e Piçarras, com
ações em andamento e pronto acesso a estes processos pela internet. Então o que
está faltando, e parece que agora está chegando este sistema que facilita o
acompanhamento do andamento dos processos. Hoje em dia, já não se admite esta
não possibilidade de estar acompanhando prontamente o desenrolar do processo. A
distância hoje, no restante do país já não existe mais para se ter acesso aos
processos, no entanto no Paraná, estamos deste jeito.
BI OAB
Foz: O que a comunidade jurídica então deve fazer para inverter o
quadro atual do estado e da cidade?
Albuquerque: Nós
temos toda a razão de pressionar o Poder Judiciário no sentido de implantar o
sistema porque geograficamente estamos longe da capital, temos facilidade de
acesso através da aviação, questão de 40 minutos estamos na capital. Mas não é
este serviço que a Justiça está precisando, nós precisamos da pronta informação
e acesso. No Tribunal já temos pronto acesso, nas Varas não. Eu, tenho
processos, por exemplo, na Comarca de Toledo que para saber do despacho do juiz
tenho que ir até a cidade ou ligar, por que não há outra forma, ou ainda
aguardar uma publicação em diário oficial, e nós de Toledo estamos relativamente
perto. Agora, por exemplo em Londrina, complica. Como em Toledo, até um
estagiário pode ir de carro até a cidade e verificar o processo, já Londrina não
dá é uma distância bem maior. Cascavel também, está perto é fácil, já
Guarapuava, Ponta Grossa, não é possível o deslocamento toda hora.
BI OAB Foz: A Subseção de Foz do Iguaçu tem o que
comemorar nestes 30 anos de história?
Albuquerque:
Muitas vezes falamos mais do lado ruim, principalmente por que estamos
carecedores de um serviço melhor. E isto depende da estrutura do Poder
Judiciário, e este, não acompanhou a demanda de jurisdicionada ao Poder
Judiciário. Um fato muito importante e muito bom que estamos acompanhando é o
Código de Defesa do Consumidor, que deu uma cara nova no Direito das Obrigações,
está fazendo com que a população desperte cada vez mais para seus direitos e
reclame quando os vê violado. E isso é muito bom. O que também veio salvar
parte, por que poderia ser muito pior são os Juizados Especiais, da Justiça
Estadual e agora na Justiça Federal, ambos vieram em uma época oportuna,
desafogar os juizados togados. Por que eventualmente se não tivessem sido
constituídos a Justiça Estadual e Federal estariam hoje impossibilitadas de
prestar o serviço jurisdicional a população. Estaria como, mais uma vez
comparando, a Vara de Família, o acúmulo dos processos e a demora nos despachos.
Uma sobrecarga de sete ou oito mil processos em cada vara. Os Juizados
Especiais, que começaram com os juizados de pequenas causas, resolveram em parte
do atendimento, se não fosse por eles estaríamos vivendo hoje o verdadeiro caos.
BI OAB Foz: O senhor acredita na especialização do
advogado para o bom exercício da profissão?
Albuquerque:
Sou daqueles que entende que o direito e a constituição estão em
constante transformação, vão se criando novas doutrinas e interpretações., até
mesmo pelo próprio comportamento da sociedade. Por isso os mais antigos devem
ficar atentos às novidades e buscar sempre se atualizar assim como os mais
jovens. Eu leciono, e desta forma busco ver que está sendo modificado e
estudado, principalmente por que temos responsabilidade sobre estes estudantes
de direito, mostrando o direito histórico e bases para o direito atual. Vivemos
em um estado democrático do direito, o que acaba oportunizando que algumas
pessoas acabem arranhando os princípios éticos da profissão. O que acaba fazendo
com que aconteçam punições. A Ordem dos Advogados tem o Tribunal de Ética, por
exemplo, eu participei durante seis anos como Juiz do Tribunal de Ética, junto
ao Conselho Estadual, nós temos seguidamente representações fundadas, que
resultam em advertências e até cassações do direito do exercício da profissão.
Pune para resgatar o bom exercício profissional. Nós temos um Código de Ética
muito claro, e deve ser aplicado e punido quando descumprido. A Ordem está
cumprindo seu dever, mas tem o conselho que dou e vou continuar dando, que as
medidas para Foz do Iguaçu devem ser tomadas em Curitiba e Brasília, e movimento
só aqui não vai sensibilizar ao Desembargador e Presidente e ao Corregedor
Presidente.
Advogado: Antônio Manoel de
Albuquerque
Advogado Antônio Manoel de
Albuquerque, exerce a advocacia desde 1979, formou-se em Curitiba, e
imediatamente transferiu o registro para Foz do Iguaçu, ex-presidente da
subseção, acredita que muito ainda tem de ser feito em favor da sociedade local
e principalmente o resgate do respeito ao advogado e que sejam garantidos as
prerrogativas do exercício da profissão.
BI OAB Foz: Como está a relação advogado e poder Judiciário
em Foz do Iguaçu, na sua opinião?
Albuquerque: Se
considerarmos a evolução especialmente no que diz respeito a parte material e
estrutura acredito que o profissional tem possibilidades de desenvolver as
atividades a contento. Entretanto, no que diz respeito a aparelhamento humano,
que é extremamente deficitário, em relação ao número e especialização daqueles
que prestam serviço ao judiciário. Com relação aos magistrados de Foz do Iguaçu
são excelentes profissionais, que enobrecem o poder judiciário e incentivam a
labuta diária do profissional, entretanto, há também aqueles que não estão
totalmente habilitados para atuarem em Foz do Iguaçu, que além de ser entrância
final ainda registra processos incomuns as demais regiões do país.
BI OAB Foz: Há algum fato que o senhor registrou na memória
como importante para a cidade ou para a categoria nestes 27 anos de
profissão?
Albuquerque:
Quando cheguei a Foz do Iguaçu,
existiam apenas duas varas civis, e uma vara de família que mal atendia a
demanda da cidade. Quando se anunciou a construção do novo fórum, e o aumento
das varas, principalmente com a luta da Ordem da Subseção de Foz do Iguaçu,
acredito que seja um fato marcante para a maioria dos advogados da cidade.
BI OAB Foz: Com a OAB Subseção Foz do Iguaçu, completando 30
anos, qual ou quais deveriam ser os principais projetos para que a classe possa
trabalhar mais tranquilamente?
Albuquerque: Apesar do excelente trabalho desenvolvido pelos
colegas na Ordem, acredito que ainda há muito a se fazer. Principalmente no
trabalho incessante da defesa do direito e das prerrogativas do profissional do
direito, que infelizmente às vezes por falta de conhecimento de algumas
autoridades, o profissional do direito, tem sido violado nas suas atividades e
direitos, onde a Ordem ainda não consegue alcançar com eficiência todos esses
problemas. E isso tem que mudar. Mas nós só vamos alcançar a plenitude destes
direitos quando a sociedade se inteirar que o papel do profissional do direito é
a defesa do direito da própria sociedade, enquanto a sociedade não tiver
consciência deste papel o profissional do direito não terá pleno exercício de
sua profissão. O que precisamos é que a Ordem resgate o valor da atividade
profissional de direito e que o próprio profissional comece a se reciclar e a
exercer um trabalho mais eficiente de maior qualidade e acima de tudo de maior
confiabilidade.
BI OAB Foz: Como mudar este ataque à
categoria dos advogados e a quebra das prerrogativas do direito?
Albuquerque: Primeiro, os operadores do direito como um todo,
tanto advogados como magistrados e promotores, e incluiria as autoridades
policiais, devem começar a enxergar o profissional do direito como um dos
instrumentos para o exercício da justiça, como está escrito na Carta
Constitucional, o advogado é meio e instrumento para o exercício da justiça. Mas
parece que, infelizmente, só se enxerga a justiça sobre dois aspectos, "um manco
de duas pernas" a justiça através do ministério público e do juiz, e o
profissional do direito é excluído como se a atuação dele não fosse importante.
E enquanto isso não mudar nós não teremos o reconhecimento e a restauração da
dignidade do profissional do direito.
O respeito é fundamental,
não tiro a responsabilidade dos profissionais que cometem deslizes, e também
chamo a atenção das instituições de ensino, que hoje, muitas não estão
devidamente aparelhadas para prestar um serviço de formação profissional,
condizente com a realidade brasileira, o que está se refletindo nos exames da
Ordem com altos índices de reprovação.
E aproveitando, em se tratando de
aniversário, gostaria de felicitar a atuação da Ordem dos advogados do Brasil de
Foz do Iguaçu no resgate na defesa dos interesses profissionais, aproveito para
dizer aos colegas advogados que a Ordem não é a diretoria, mas todos nós, e
muitas vezes a diretoria não consegue a realização dos propósitos, exatamente
por que nós, classe, não estamos devidamente engajados, e apoiando as
iniciativas e trabalhos da Ordem. Devemos nos colocar a disposição da nossa
instituição até como presente de aniversário.
Advogado: Júnior
Rafagnin
Júnior Rafagnin formou-se em
Curitiba, Universidade Federal do Paraná, em 1984, trabalhou inicialmente com o
já falecido Advogado Santo Rafagnin. Foi Presidente da Subseção de 1993-1994, e
também Conselheiro Estadual.
BI OAB Foz: Para o senhor, que já foi Presidente da OAB Subseção Foz
do Iguaçu, a cidade tem um bom mercado para advocacia?
Rafagnin: Ter sido Presidente da Subseção para mim é motivo de
muito orgulho, acredito que todo advogado participante sonha em um dia talvez
chegar a ser presidente, principalmente para estar à frente do órgão que
representa a classe dele, e que pelo próprio nome já é muito respeitada.
BI OAB Foz: Como advogado enfrenta muitas dificuldades com o Poder
Judiciário ou acredita que os serviços estão satisfatórios?
Rafagnin: Em Foz do Iguaçu, e agora, falando não só da advocacia,
mas de todas as áreas, sempre foi uma cidade "sui generis", diferente de outros
locais e pioneiras em alguns setores e atividades. O atípico de nossa cidade, e
muito importante, é que aqui temos a Justiça Federal rara em outras cidades e
principalmente em municípios de interior. Exercer a advocacia chega a ser
complicado principalmente por ser uma região de fronteira, aqui se discutem
matérias incomuns a qualquer outra cidade ou até inexistentes, processos que
envolvem Paraguai e Argentina temas de difícil discussão até em capitais.
BI OAB Foz: Existe ainda trabalhos ou iniciativas a serem feitas para
melhorar o dia-a-dia do advogado em Foz do Iguaçu?
Rafagnin: Há sim. Uma coisa que muitos advogados têm reclamado e
que um dia espero que alcancemos, é a informatização dos cartórios. Aqui em Foz
para se ter acesso ao andamento de um processo temos que nos deslocar até o
cartório, enquanto que em outras comarcas pelo serviço da internet já é possível
o acompa-nhamento on-line. Neste sentido sinto que Foz ainda deve muito.
Teríamos que iniciar emergencialmente uma luta neste sentido, mas é importante
lembrar, que não é uma luta local, mas uma luta junto ao Tribunal. Por que este
tipo de campanha que tem o intuito de modernizar estruturas que exigem recursos
não consegue resultados se mostrando somente para a comunidade do município.
Temos que recorrer aos que decidem, por que iniciativas como esta de modernizar
com certeza vão beneficiar os advogados daqui e aqueles que por ventura têm
processos em nossa comarca e são de fora.
BI OAB Foz: Com a OAB Foz completando 30 anos, temos muito a
comemorar?
Rafagnin: Com certeza, Foz do Iguaçu é referência no estado até por
este aspecto atípico, e por abrigar processos que não ocorrem em outras
comarcas. Outro fator importante, ocasionado por ser uma região de fronteira e
que causa curiosidade em pessoas de outras regiões, é conseguir trazer para Foz
do Iguaçu, eventos e novidades que geralmente não acontecem em cidades de
interior, por ser uma região privilegiada tem sempre o apoio da direção estadual
e nacional para novos empreendimentos. Ainda em minha gestão aconteceu em Foz a
Conferência Nacional dos Advogados, fato inédito, que trouxe muita gente de fora
para a cidade, e mostrou a cidade para o restante do país como foco de
congressos, naquela época, concentrando cerca de quatro mil
participantes.
Outro exemplo de que Foz tem apoio
da OAB Estadual e Federal é o atual Presidente da OAB Nacional, Roberto Busato,
e Vice-presidente da OAB Estadual quando eu ainda estava na presidência da OAB
Foz, que sempre se preo-cupou em saber como está a Subseção, o que poderia estar
sendo melhorado e sempre se colocou a disposição para buscar apoio diante do
Tribunal, e também mostrando a OAB como entidade para comunidade tanto do
município, quanto do estado e também para o país.
BI OAB Foz: Quais deveriam ser as causas abraçadas pela OAB para os
próximos anos?
Rafagnin: Na verdade, a informatização dos cartórios seria muito
importante, mas de nada isso adianta se continuarmos com a mesma quantidade de
juízes que dispomos atualmente. Estamos com uma situação humanamente impossível
de ser contornada, um único juiz com quatro, cinco mil processos, e ainda a Vara
de Família com nove mil. Esta é uma crítica não ao Fórum ou ao juiz, mas ao
Tribunal que precisa olhar com mais atenção a esta necessidade emergencial, que
precisamos de pelo menos mais um juiz para que se possam dividir os processos.
Para que o cidadão que tem um processo que demoraria seis meses fique esperando
uma decisão que vai sair em no mínimo três anos. Lembro quando ainda era
novinho, e o Advogado Álvaro W. Albuquerque era o Presidente, ele foi o primeiro
presidente, conseguiu apoio para conseguirmos grande parte do que temos hoje, e
foi tudo com muita luta. E temos que continuar desta forma abraçando causas e
correndo atrás para concretizá-las.
Advogado:
Abner Wandemberg Rabelo
Abner Wandemberg Rabelo,
formou-se em Uberaba/MG, desde então advoga em Foz do Iguaçu, chegou a cidade em
maio de 1987. Atua principalmente nas áreas: Cível, Família e Trabalhista. Se
diz realizado como profis-sional. É ex-presidente da OAB Subseção Foz do Iguaçu
(1995- 1997), foi Conselheiro Estadual (1997- 2000), e hoje, ocupa o cargo de
Delegado Estadual da Caixa e faz parte da Comissão de Eventos.
BI OAB Foz:
Como está para o Senhor o trabalho do advogado hoje
em Foz do Iguaçu?
Rabelo: Na verdade, para quem chegou
a quase 20 anos, percebe que a cidade mudou. Não pela quantidade de advogados,
por que se comparar os clientes que tinha há vinte anos, ainda os tenho. O que
aconteceu é que Foz não é mais a mesma. Anteriormente era uma cidade de grande
movimento, de grandes negócios, ocasião em que não se dispensava a presença de
um advogado, hoje é uma cidade "normal", o que causa estranheza em muita gente.
Acredito que trabalho ainda há, e bastante, dentro da cota que nos permite
oferecer qualidade de serviço ao cliente.
BI
OAB Foz: Quais são as principais dificuldades dos
advogados em Foz do Iguaçu?
Rabelo: Para mim que quase sempre
atuei em Área Cível, que nunca foi rápida, tive que apreender a lidar um pouco
mais com a demora, do que aqueles que atuaram mais, como por exemplo, na Área
Trabalhista e até mesmo na Criminal. Mas hoje, melhorou muito, já tivemos época,
que realmente não andava por que também não tínhamos juízes. Algumas Varas
ficaram sem juízes por meses, o que acarretou num acúmulo de processos. Hoje
cada Vara tem seu juiz o que ajuda bastante.
BI OAB Foz: O senhor acredita que
Foz do Iguaçu deveria ter mais juízes, ou o número que tem é
suficiente?
Rabelo: Com certeza, deveria ter mais Juízes, Juízes Substitutos, Juízes
Auxiliares. O ideal seria que cada Juiz Titular tivesse pelo menos um Juiz
Auxiliador. Lógico que ajudaria, muito, mas não só para Foz, há outras comarcas
que também realmente necessitam. Temos que reconhecer que o excesso de carga de
processos em nossa cidade é elevada para os juízes. Não tem realmente quem
consiga despachar, atender, dar sentença... Não é fácil. Certa vez, com o colega
Advogado Allan Weston, questionamos o Presidente, na época o Advogado José
Hipólito Xavier da Silva, sobre a possibilidade de se contratar advogados nos
cartórios, para ajudar como Assessor do Juiz. Como no Tribunal tem o Assessor do
Desembargador, poderia ter o Assessor do Juiz de Primeira Instância. É uma idéia
que já se cogitou, foi passada para frente, até que ficamos sabendo que em
Curitiba existe o Assessor de Juiz de Primeira Instância. O que seria uma
solução para nossa comarca, ai cai no problema de quem iria pagar estes
assessores. Se seria o Cartorário, o Tribunal. Mas um fato curioso é que no
Juizado Especial existem os Juízes Leigos, seria uma idéia também, implantá-los
nas Varas Cíveis, e nas demais.
BI OAB Foz:
O senhor acredita que a comarca de Foz do Iguaçu,
nesta trajetória que o senhor acompanhou teve muitas conquistas?
Rabelo: Quando
fui presidente um fato histórico para a cidade foi o Fórum novo de Justiça
Estadual, foi uma grande conquista para a cidade. O nosso Fórum antigo já não
comportava a movimentação, os trabalhos. Outra conquista, é que hoje Foz do
Iguaçu tem quatro Varas Cíveis, quatro Varas Penais, Infância e Juventude,
Família, duas Varas Cíveis do Juizado Especial, que só foi possível conseguir
tudo isso com o novo Fórum. Algo fantástico para a cidade foi o protocolo
integrado, que possibilita ao advogado protocolar as petições sem sair da
cidade, o advogado que tem uma petição em Cascavel, por exemplo, pode fazer o
protocolo daqui, isso foi um grande avanço para a Justiça de Foz do Iguaçu e do
Paraná. Não sei se todos os Estados têm o protocolo integrado, mas sei que o
Paraná foi um dos últimos a implantar este sistema. O que acarretou em conforto,
economia e agilidade no trâmite do processo. Quando comecei advogar lembro que
no Mato Grosso do Sul já existia o protocolo integrado.
BI OAB Foz: O senhor como advogado
que também atua em outras comarcas percebe muita diferença de Foz do Iguaçu para
outras cidades, mais próximas de grandes centros?
Rabelo: Na verdade,
tanto no Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, estados que mais
conheço, em termos de sistema judiciário é tudo muito parecido, inclusive no
acúmulo de processos, pouco juiz para muita demanda.
BI OAB Foz: E
por que isso?
Rabelo: Muitas vezes há processos onde o cidadão brinca com a justiça. A
justiça gratuita principalmente é a que mais recebe este tipo. Qualquer coisa a
pessoa entra na justiça, o que acarreta nesta farta demanda. Até no Juizado
Especial, de quando entra com o processo até a sentença, no mínimo seis meses. E
não era para ser assim, e hoje ainda temos duas Varas Cíveis, anteriormente
tínhamos uma, e parece que andava mais rápido. Os Juizados Especiais vieram para
ajudar a agilizar os processos para causas menores, até 40 salários mínimos. No
começo, até alguns advogados ficaram preocupados com esta novidade, mas os
juizados foram muito bem aceitos.
BI OAB
Foz: A OAB Foz do Iguaçu completando 30 anos, quais
deveriam ser as causas a ser abraçadas pela Ordem neste novo
período?
Rabelo: Na verdade, o que falta para
Foz do Iguaçu, é mais uma Vara de Família. Apesar dos esforços do pessoal do
cartório, da própria juíza, é desumano a carga excessiva de processos, uma vara
só não tem condições para nossa cidade. Nove mil processos para um juiz é
inconcebível. Acredito que a juíza até faça milagres, ela não deve ter tempo nem
mesmo para a família dela. A luta pela segunda Vara de Família, é uma luta
intensa da atual presidência, e o que sempre digo, é uma luta nossa (de toda a
Subseção), "2ª Vara de Família já". Foram feitas mobilizações, panfletagem,
protesto no Fórum, adesivos, camisetas, etc. A presidência atual está correndo
atrás.
Em casos como este da Vara de
Família acredito que deveriam ter "pelo menos" mais um auxiliar para ajudar o
Juiz Titular, por que um juiz apenas, não dá conta.
BI OAB Foz:
Para o senhor que acompanhou de perto o crescimento da comarca de Foz do Iguaçu,
nossa comarca é bem vista pelo estado e pela OAB Nacional?
Rabelo: Foz do Iguaçu, é uma
Subseção que sempre foi tida com muito carinho , tudo o que foi reivindicado até
hoje foi atendido. O que a OAB Estadual e Nacional pode fazer por Foz, sempre
fez. Eu sempre acompanhei muito de perto a caminhada da comarca de Foz. A
construção da sede, que foi uma das primeiras reivindicações do Advogado Junior
Rafain, como Presidente, e eu era o Vice dele. Foz do Iguaçu foi uma das
primeiras cidades do Paraná a ter sede própria, com exceção de Londrina e
Maringá, no interior. Quando conseguimos a sede, era o Advogado Accioly Neto que
estava como Presidente da OAB Paraná, logo após assumiu o Advogado Alfredo de
Assis Gonçalves Neto, que ajudou a terminar a obra da sede e salas da OAB na
Justiça Federal, do Trabalho e no Fórum da Justiça Estadual. Tudo isso completo
com sala, funcionários e equipamentos. Por tudo isso acredito no apoio da OAB
Estadual e Nacional para conseguirmos mais uma Vara de Família para Foz do
Iguaçu, por que eles sempre nos ajudaram em outros momentos.
Acredito também que o que falta é
informatização do cartório o que facilita e muito o acesso do advogado ao
processo. Como por exemplo, dentro de um amontoado de nove mil processos, não há
privilégio, não é o meu ou o dele que vai mais rápido para mesa do juiz. Outro
exemplo, uma separação de casal, consensual, demora no mínimo um ano, agora para
sair à homologação é que demora um pouco mais. O cliente muitas vezes pensa que
após a audiência já sai à homologação, e não é assim, após a audiência para o
juiz assinar tem mais mil processos na frente dele. Para o Cível e para o Criminal também acredito que comportaria mais uma
Vara, por que já está virando cena de cinema. Voltando um pouco a construção da Ordem, quando
começamos eu e o Advogado Junior Rafain, antecedendo a gente, foi o Advogado
Antônio Manoel de Albuquerque que conseguiu o terreno, e a sede da Ordem ficava
no Edifício Metrópole, que tinha lá somente uma funcionária e o dentista que
ficava lá junto, então nós construímos a sede, que hoje tem 12 funcionários.
Então, o número de advogados na cidade cresceu mas a estrutura da ordem
acompanhou tudo isso. Temos livraria, farmácia, etc.
BI OAB Foz:
Com a OAB Subseção de
Foz do Iguaçu completando 30 anos, o senhor acredita que é uma entidade que tem
se mostrado satisfatoriamente para a cidade? Foz do Iguaçu conhece a
OAB?
Rabelo: Eu acredito que uma entidade e que todo mundo
respeita, é a OAB. Inclusive acho que duas entidades que são extremamente
importantes para uma comunidade e principalmente para a nossa, são a OAB e a
imprensa, a imprensa leva à população o que está acontecendo e a OAB orienta,
uma das grandes funções da OAB instruir aqueles que não tem conhecimento, os
seus direitos. E a OAB está sempre presente para ajudar, orientar e por que não
dar exemplos. É uma entidade que pela união dos seus membros se fez forte. O que
sinto é que falta ainda maior participação dos advogados dentro da Ordem. Não
sei se é por isso, mas quando comecei havia mais participação talvez pelo número
menor de advogados. Acontecem sempre cursos, palestras e infelizmente o número
de advogados participando é pequeno, o que é lamentável, por que o conhecimento
leva ao aperfeiçoamento da atividade. Foz do Iguaçu está de parabéns pela
Subseção da OAB.
Advogado:
Márcio Rogério de Souza
O Advogado Márcio
Rogério de Souza foi Presidente da OAB Foz em duas gestões no período de
1997 a 2003.
BI OAB Foz: Como
foi para o senhor ser Presidente da OAB Subseção Foz do Iguaçu, por duas
vezes?
Mário Rogério de
Souza: Foi uma experiência
gratificante, de muito aprendizado e que contribuiu de maneira definitivamente
e decisiva para meu aprimoramento pessoal e intelectual. Aprendi na OAB a
lidar com as diferenças de pensamento, a desbastar as arestas existentes para
encaixar as diversas linhas de opiniões em uma única obra de interesse dos
advogados iguaçuenses. Por outro lado, é motivo de orgulho para qualquer
profissional assumir a Presidência da Entidade representativa de sua classe.
Quando se é reeleito é sinal de se fez um bom trabalho e que seus pares o
reconduziram como sinal de reconhecimento. A maior satisfação e que dá a
certeza do dever cumprido é quando no segundo mandato se consegue eleger-se
Conselheiro Seccional e se faz o sucessor. Por isso, só posso agradecer àqueles
que me apoiaram e que permitiram a conclusão de dois mandatos.
BI OAB Foz: Uma
reclamação quase que unânime é a desatualização em equipamentos e acesso
ao andamento dos processos nos Fóruns. O senhor concorda com isso?
Souza:
Enquanto nossos governantes não priorizarem a administração da Justiça
como instrumento de manutenção da Paz Social, como instrumento de inclusão
social e como fator de desenvolvimento econômico a infra-estrutura continuará
sucateada.
BI OAB Foz:
O que a comunidade jurídica deve fazer para inverter o quadro atual?
Souza:
Apoiar governantes com uma proposta clara voltada para o setor.
BI OAB Foz:
O senhor acredita na especialização do advogado para o bom exercício da
profissão?
Souza: A advocacia
moderna exige a especialização. Não existe mais espaço para o Advogado
vulgarmente conhecido como "clínico geral". É necessário fazer a
opção por uma área de conhecimento e dedicar-se.
BI OAB Foz:
A Subseção de Foz do Iguaçu tem o que comemorar nestes 30 anos de história?
Souza:
Com certeza absoluta. Institucionalmente a Subseção de Foz do Iguaçu é
reconhecida nacionalmente como uma das mais atuantes em vários setores, como
por exemplo: na defesa dos direitos e prerrogativas do advogado e na defesa
das garantias individuais da pessoa humana; foi pioneira em lançar e manter a
periodicidade de seu Boletim Informativo; foi a primeira Subseção a criar
seu Boletim Eletrônico, o Bom Dia Advogado, que serviu de modelo para o
Brasil todo. Por outro lado, a capacidade de articulação política e a
credibilidade que seus dirigentes gozam junto ao Conselho Seccional e o
Conselho Federal aliadas à infra-estrutura que a cidade oferece tem
proporcionado a realização de eventos de porte internacional que valorizam
os Advogados e a Advocacia Iguaçuenses. Por isso as Advogadas e os Advogados
Iguaçuenses devem se orgulhar de sua Subseção e nunca se esquecerem de que
toda entidade tem o tamanho das pessoas que a compõem e a dirigem.
Advogado: Nilton
Luiz Andraschko
Advogado Nilton Luiz
Andraschko, na profissão desde 1980 foi membro da ordem em vários cargos de
diretorias anteriores, acredita na restauração da dignidade da profissão desde
que exista o respeito e conscientização entre os profissionais de classe e da
sociedade.
BI OAB Foz:
Como está a relação advogado e poder
judiciário em Foz do Iguaçu, na sua opinião?
Andraschko: O trabalho do advogado é de eterna
busca de solução para os problemas "dos outros", e que muitas vezes chega ao fim mas com uma demora muito grande.
O Poder Judiciário infelizmente não está aparelhado para atender a população.
Muitas causas se perdem no tempo, nós envelhecemos e os processos também e
algumas coisas não se resolvem. Acredito que por isso o descrédito da população
com relação ao advogado está cada vez maior. Mas temos também juízes jovens em
Foz do Iguaçu preocupados com a efetiva prestação jurisdicional, ou seja, querem
realmente que o Poder Judiciário evolua mais rapidamente para atender os anseios
da população, ou seja, resolver o problema pelo qual procurou o judiciário.
BI OAB Foz:
O que deveria ser feito para melhorar o
trabalho?
Andraschko:
Nós em Foz do Iguaçu, no Paraná, temos os
cartórios cíveis privados, mas isso tem, de certa forma, impedido a
informatização e a interligação dos cartórios, comarcas e acaba comprometendo o
acesso do advogado. Para resolver o problema, entendo que Foz do Iguaçu, pelo
volume de processos que cada juiz tem que atender, deveria ter no mínimo um auxiliar, de preferência um
bacharel em direito, alguém com um certo preparo, para organizar os processos
para a decisão. Enfim, deveria acontecer uma subdivisão do trabalho do juiz,
para que ele fique apenas na função de julgar, e não de relator, julgador,
realizador de audiências, como acontece hoje. Eu vejo os juízes daqui hoje muito
sobrecarregados. O importante não é mudar a lei, mas dotar o judiciário de mais
recursos, aumentando o numero de Juízes e Varas.
BI OAB Foz:
Há algum fato que o senhor registrou na
memória como importante para a cidade ou para a categoria nesta caminhada de 26
anos de profissão?
Andraschko:
Têm vários. Na vida profissional,
principalmente quando participei na OAB, como secretário, conselheiro, um fato
que marcou profundamente foi a posição de um juiz que tivemos aqui, e que me
determinou a abertura de inquérito policial, alegando que eu estava tentando
usurpar função do Poder Judiciária. E eu como diretor da comissão de defesa dos
direitos e prerrogativas do advogado na época e os demais membros, estávamos
justamente tentando ajudar o judiciário a detectar quais os problemas
existentes, para auxiliar e agilizar no andamento dos processos. Então a
comissão oficiou aos juízes informando do trabalho que seria feito, sendo que
quase todos os magistrados nos atenderam sem o menor problema, com exceção do
Juiz da 2ª Vara Cível, naquela época. O juiz acabou me processando e também a
alguns membros da comissão, por usurpação de poder, ou seja, que estávamos
pretendendo fazer uma correição em sua Vara, mas houve a intervenção da OAB
Estadual, que obteve através de um Habeas Corpus, o trancamento do
inquérito. O fato acabou prejudicando-me no exercício da profissão por que o
Juiz se declarou impedido para atuar em meus processos, tendo o Tribunal que
intervir e nomear outros Juízes para as causas mais urgentes, causando sempre
atraso na prestação jurisdicional. Mas tudo foi superado e temos uma relação
harmoniosa com todos os juízes.
BI OAB Foz:
A OAB Foz do Iguaçu completando 30 anos,
tem muito a comemorar? E quais deveriam ser as causas a ser abraçadas pela Ordem
neste novo período?
Andraschko:
A OAB em Foz do Iguaçu só cresceu nesta
caminhada de 30 anos. Hoje ela tem sede própria, instalações nos fóruns que
facilitam a vida do advogado local e aos que vêm de fora. A OAB tem sido
bastante rígida é o que vemos nos exames, o que é muito bom para a classe
profissional e para a sociedade, evitando que profissionais despreparados
exerçam a profissão. Proliferaram-se cursos de direito em todo o país. Acredito
que muitos deles não têm condições de operar, mas estão aí despejando
profissionais despreparados e sem condições de atender os anseios da sociedade.
O advogado é aquele profissional que as pessoas procuram quando estão com um
problema de difícil solução e que sozinhos não tem condições de resolver, e em
última instância procuram o advogado para buscar na Justiça a solução de suas
pretensões, as quais às vezes são atendidas e outras não. Hoje as pessoas
preferem fazer acordos, às vezes com perdas, ao invés de que buscar o
Judiciário, por causa da morosidade e dos custos. Acho que a advocacia está
decadente pelo acúmulo de faculdades de direito, que jogam inúmeros
"profissionais" no mercado todos os anos, causando problemas de toda a ordem
para a sociedade que se vê a mercê de profissionais despreparados. Por isso deve
existir ética e respeito entre os profissionais que atuam na cidade, e não
leilão de honorários para angariar mais causas. Devemos cumprir a tabela de
honorários da OAB. Via de regra as coisas estão rumando para o caminho certo.
Diminuindo a morosidade do Judiciário, certamente a sociedade voltará a
acreditar da Justiça e, conseqüentemente no trabalho do advogado.
Advogado: Nivaldo Luiz dos Santos
Nivaldo Luiz dos Santos formou-se pela Faculdade de
Direito da Universidade Federal do Paraná em 1965, mas desde os 14 anos
passou a trabalhar envolvido com o mundo do direito, como office boy na
OAB Curitiba. Depois de formado em 1975 mudou-se para Foz do Iguaçu, com
escritório próprio, e foi Vice-Presidente da OAB Foz, junto com o
ex-presidente e já falecido Santo Rafagnin. Em 1992, foi para Natal, RN,
regressando a Foz em 2003.
BI OAB Foz: Foz é uma boa cidade para o exercício da
profissão do advogado?
Santos: Hoje principalmente está bastante complicado,
até pelo grande número de advogados, mas também a estruturação da cidade
de modo geral, como ser uma cidade fronteiriça e não possuir indústrias
para a geração de emprego, ter um comércio pequeno, inexistência de
shopping (agora somente, construindo um centro), 90 mil pessoas que sobrevivem
do trabalho "ilegal" no Paraguai, o que de modo geral acarreta
dificuldades gerais no exercício da profissão. Cidades com um setor
industrial bem desenvolvido e numeroso com certeza dão mais garantia ao serviço
do advogado, no que diz respeito a pagamento de honorários. Em nossa cidade,
o que vemos, são inúmeros advogados que aceitam inúmeros trabalhos para ter
o que receber no fim do mês. O que acaba gerando um serviço com déficit na
qualidade, por que desta forma que e está trabalhando o advogado não tem
tempo para estudar os casos em mãos, porque precisa ganhar dinheiro.
BI OAB Foz: Esta aceitação da sobrecarga do trabalho
o senhor acredita ser uma tendência nesta época, este é um problema
exercitado dentro das faculdades ou assimilado na vida profissional?
Santos: O problema com uma boa formação nas escolas
de direito do país, temos visto os resultados nos Exames de Ordem, que tem
reprovado milhares. E isso me deixa triste porque o Exame não é uma coisa tão
difícil assim, mas precisa de empenho e que os candidatos estudem para passar
por ele. O bom profissional é a continuidade da vida escolar, um estudante
que estuda e lê, com certeza vai ser um bom profissional, porque ele vai
conseguir superar as diferenças teóricas e práticas e transformá-la em um
trabalho de qualidade, ele vai saber por onde andar.
BI OAB Foz: Em todos estes anos como advogado em Foz do
Iguaçu quais os fatos ou conquistas que o senhor lembraria como marco para a
Subseção?
Santos: Algo muito importante é a sede própria da
Ordem na cidade, porque anteriormente as sedes ficavam em salas alugadas com
espaço restrito, sem conforto, e um funcionário apenas. Ainda na gestão do
Advogado Santo Rafagnin, foi conseguido um funcionário para trabalhar no Fórum
Estadual de Justiça. É claro que naquela época não existiam tantos
advogados na cidade e nem mesmo tantas atividades e serviços de amparo ao
advogado como atualmente. Outro grande avanço, alcançado também na gestão
que acompanhei como vice-residente, é o atendimento de todos os advogados
pela Polícia Federal, anteriormente eram poucos advogados que tinham acesso
permitido livremente para atender clientes, hoje todos os advogados que tem
clientes com processos relacionados com a PF podem trabalhar sem maiores
problemas ou empecilhos.
BI OAB Foz: O senhor como advogado vê muitas
dificuldades no desenvolver do trabalho com o Poder Judiciário ou acredita
que os serviços estão satisfatórios?
Santos: Vejo muitos entraves, principalmente para
aqueles que atuam mais na área criminal. E para aqueles que trabalham mais
nas áreas cíveis encontram problemas no Fórum, como falta de juízes e acúmulo
de processos, dois problemas relacionados. Um grave problema é a Vara de Família,
e este é um problema de muitos anos e que vai piorando a cada dia mais,
porque vão chegando mais processos, que são somados as pilhas que tem lá.
BI OAB Foz: Diante disso, o que fazer para melhorar?
Santos: Acredito que como são vários problemas,
seriam também várias soluções. Por exemplo, no acumulo de processos, mais
uma ou duas varas, por conseqüência, mais juízes amenizaria com certeza a
sobrecarga dos juízes que atuam em Foz. Uma forma de se prevenir este caos,
agora não me refiro somente a nossa cidade, mas a todo o Brasil, seria a
implantação de um gerenciamento nos Fóruns e a oficialização dos cartórios.
Como por exemplo, atuei em Natal, RN, lá a forma de trabalho é diferenciada,
não há escrivães, são secretários que recebem do Estado, desta forma os
cartórios deixam de ser privativos, caindo por terra à possibilidade de
contratação de funcionários inexperientes. Com profissionais gabaritados, o
andamento de muitos processos poderiam ser agilizados, não ficariam a espera
de atos dos juízes, os escrivães ajudariam a desafogar as varas, mas para
isso seria necessária uma formação especial para as pessoas que trabalham
nos cartórios. Outro problema que está se tentando fazer, mas ainda não foi
encontrada uma forma eficaz, é a publicação de uma petição ou despachos.
Alguns cartórios aqui já estão implantando o sistema on-line, mas ao
acessar encontra-se apenas que entrou uma petição, mas não se sabe de quem
e do que se trata. Em outros cartórios, como em Natal mesmo, tenho todo o
acompanhamento diário, não preciso me deslocar daqui até o Rio Grande do
Norte, quando aqui, preciso ir até o Fórum Estadual.
BI OAB Foz: Quais deveriam ser as causas a ser abraçadas
pela Ordem daqui por diante?
Santos: Acredito que a Ordem deva se empenhar em ajudar
a solucionar todos estes problemas para facilitar os trâmites dos processos
por que é disso que vive o advogado, é este o trabalho dele, e auxiliar o
advogado é a função da OAB, e não como muitos dizem que a Ordem só pune.
Os advogados precisam que os juízes os atendam, é importante esta troca. Não
se pretende com estas possíveis transformações uma justiça rápida, por
que a justiça rápida é perigosa, mas se pretende uma justiça satisfatória
e não tão morosa.
BI OAB Foz: A OAB Subseção de Foz do Iguaçu está
completando 30 anos. O senhor acredita que tem o que comemorar?
Santos: Com certeza sim, a gestão atual, por exemplo, tem trabalhado
incansavelmente, mas sabemos que é um trabalho árduo, e que diversas vezes
os advogados da comissão executiva deixam de lado o trabalho pessoal para se
dedicar à categoria, e por fim não tem o esforço reconhecido por alguns. E
isso é assim desde e o início da Subseção, mas somos uma classe que
realmente precisa da união para fazer conquistas para o coletivo. A OAB é
hoje um órgão civil também junto, como bandeira, em diversas ocasiões
defendendo melhorias públicas e por isso a cada dia mais respeitada.
Advogado: Antônio Vanderli Moreira
BI OAB Foz:
Na sua opinião quais as maiores dificuldades encontradas pelos advogados
iguaçuenses no exercício de sua profissão?
Moreira: O Judiciário em nossa cidade tem uma grande
dificuldade que vem de muito tempo. Em primeiro lugar falta se aparelhar, para
poder agilizar melhor os processos, o nosso está totalmente obsoleto. A nível de
Cartórios Cíveis por exemplo, tem apenas computadores para uso interno, para
externo não existe. Para um acompanhamento processual a distância não há nada.
Fato que por todo o Brasil, é diferente, o advogado tem total acesso aos
processos que estão sendo analisados. Por exemplo, se eu quiser ver a sentença
de um processo de uma cidade do interior do Mato Grosso, acesso e vejo o
processo. Mas Foz do Iguaçu está como a maioria das cidades do Paraná, atrasadas
com relação a acompanhamento processual on-line, e aparelhagem. Outro grande
problema é a parte do pessoal, que está bastante deficitária. É necessário que
os representantes maiores do poder judiciário vejam que o trabalho deve ser
feito de forma profissional. Por exemplo, os cartórios são todos particulares,
os escrivães colaboram até economizando papel e não querem investir no que não é
dele. Isso retrata a contenção de gastos dos cartórios tanto nos equipamentos
quanto no pessoal. É necessário haver a preparação profissional dos cartórios. O
que se percebe quase que como regra, lógico que há exceções, é que não existe o
senso do bem comum, até com relação a vocação no judiciário, a preocupação em
servir a população, de se colocar a disposição e fazer tudo o que é possível.
Por isso há processos que não andam, não há satisfações, a população e nem ao
advogado, há casos de que se leva até mesmo um ano para se conseguir um despacho
qualquer. A gente lutou no passado para elevar Foz do Iguaçu a entrancia final,
mas acredito hoje que foi uma falha, seria melhor ter ficado como entrancia
intermediária, por que assim Juizes ficariam mais tempo na cidade,
exercendo um bom trabalho.
BI OAB Foz:
Nesta caminhada de 35 anos de advocacia, o que o senhor acredita que
mudou para melhor?
Moreira:
Com relação ao judiciário não vejo melhoras, por que aumentaram as varas,
juízes, promotores, escrivães mas na prática não mudou em nada. Veja, em meados
da década de 70, havia um juiz e um promotor apenas em Foz do Iguaçu, cuidando
de tudo, da vara criminal, civil, familiar e até trabalhista, e tudo fluía bem
mais, e havia um acesso mais fácil ao juiz, eram feitos despachos até no meio da
rua, eles tinham a noção de que estavam aqui para servir.
BI OAB Foz:
O
que falta mudar?
Moreira:
O advogado está sendo bastante desprestigiado, tanto no
judiciário, quanto pela polícia. O que preocupa é que este desrespeito as
prerrogativas contra o advogado é também contra a sociedade de modo geral, por
que o advogado não defende a si mesmo mas um membro da sociedade. Então o grande
esforço da OAB agora deve ser restaurar as prerrogativas do advogado.
Advogada:
Marília Antonia da Silva
BI OAB Foz:
Como à senhora avalia o trabalho do advogado hoje em Foz do Iguaçu?
Marília Antonia da Silva:
Avaliação que advogar hoje, em Foz do Iguaçu, está muito difícil devido a
quantidade de profissionais que possui hoje Foz do Iguaçu, e em termos de uma
falta de ética por parte dos novos com relação as informações erradas que
fornecem aos clientes.
BI OAB Foz:
No seu ponto de vista, Foz do Iguaçu deveria ter mais juízes, ou número que
tem é suficiente?
Silva:
Lógico que deveria ter mais juízes e varas, inclusive principalmente Vara de
Família e que os juizes que vêem para Foz do Iguaçu, não deveriam vir só
de passagem, pois nossa cidade atípica com muitos casos e problemas que
necessitam serem resolvidos, sendo que se o juiz designado permanecesse por
mais tempo, poderia se interar mais dos problemas que envolvem a cidade,
principalmente por se tratar de uma cidade de fronteira, que por assim ser,
ocorrem problemas totalmente diversificados de outras cidades do interior.
BI OAB Foz:
Uma reclamação quase que unânime é a desatualização em equipamentos e
aceso ao andamento dos processos nos Fóruns, a senhora concorda com isso?
Silva:
Concordo plenamente, pois a Justiça Estadual, deveria fornecer equipamentos
mais atualizados, assim como ocorre na Justiça Federal e do Trabalho, pois a
demanda é grande, sendo que se os sistemas fossem mais avançados, poderíamos
inclusive fornecer extratos aos clientes, que em muitos casos não entendem o
quanto a Justiça é morosa, sendo também uma maneira de provarmos aos
clientes que estamos acompanhando o andamento processual, dia-a-dia.
BI OAB Foz: O
que a comunidade jurídica deve fazer para inverter o quadro atual?
Silva:
A OAB, através de seu presidente é que deve fazer a cobrança aos órgãos
competentes, pois ela é a representante da comunidade Jurídica, através das
Subseções, pois é para isso que foi criado a Instituição pra lutar pelos
direitos e deveres do advogado.
BI OAB Foz:
A senhora acredita na especialização do advogado para o bom exercício da
profissão?
Silva:
Sim, acredito na especialização, mas o advogado tem a obrigação de
conhecer na prática todas as áreas do direito, pois assim se torna um
profissional de conhecimento amplo, podendo atender e resolver todos os casos
do cliente, pois o advogado tem que ser um profissional de confiança do
cliente, para poder orientá-lo e resolver todos os tipos de problemas que
caso venham a surgir, para não precisar o cliente é igual ao médico de sua
confiança.
BI OAB Foz:
A Subseção de Foz do Iguaçu tem o que comemorar nestes 30 anos de história?
Silva:
Sim, sempre temos o que comemorar, pois apesar dos autos e baixos que a
instituição atravessou nesse período, conseguiu fazer progressos, como
construir sua sede própria, e instalar uma sala de atendimento em cada órgão
onde esta localizado o Poder Judiciário, com secretárias eficientes e com
todos os equipamentos necessários ao trabalho do advogado, como máquina
xerox, computador, telefones, cafezinho, salas de espera etc. Complementando,
os 30 anos de história da OAB, sentimos saudades de um dos Presidentes da
Subse-ção o Advogado Santo Rafag-nin, que muito brigou pelo trabalho dos
advogados naquela época, enfrentando vários órgãos tanto Estaduais, como
Federais, fazendo valer as prerrogativas do advogado conforme arts.87, 88 e 89
do Estatuto da Ordem dos Advogados, lembramos também a boa gestão dos
Advogados Álvaro de Albuquerque, Antônio M. de Albuquerque, e agora na gestão
atual Presidente Waldemar E. Feiertag Junior, realizando vários seminários
para advogados em colaborar na atualização das alterações que os Códigos
vem sofrendo, nas áreas Civil e Criminal, principalmente.
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